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O conto zero e outras histórias, Sérgio SantAnna | Resenha

Mas não é bem essa história que você está contando. Aliás, como disse antes, você pretende que esta não seja bem uma história, mas um flanar escrito, um pouco anterior à primeira foda. Em vários momentos de O conto zero e outras histórias (Companhia das Letras), Sérgio Sant’Anna conversa consigo mesmo. Ele reflete constantemente, ao longo dos dez contos que compõe o livro, sobre o processo de criação e a atividade da escrita. Inclusive, inicia O conto zero, que dá nome à obra e de onde retirei o trecho acima, falando que não quer escrever para não limitar – ora,…

Descobertas

Padaria em São Paulo. Logo cedo de manhã.    — Oi, meu nome é Carol. Sou nova na casa vou te servir hoje. Volta com meu pedido, toda caprichosa. — Posso perguntar o que você está lendo? Digo o nome do livro. Quero saber se ela também gosta de ler, o que confirma com um baita sorriso. Olha novamente para o romance na minha mão: — É bom? Vi na livraria do shopping. Como é um livro caro, não dá pra simplesmente comprar assim, este mês. Pelo menos não sem saber se vou gostar mesmo… Eu gosto de histórias inventadas e bonitas, mas não histórias reais…

Rol, Armando Freitas Filho | Resenha

Escrevo porque escrevo. Quando dei por mim, escrevia. Escrever não tem princípio ou final. Me mantenho escrevendo. Luto contra meu corpo desde o início. Me tenho, escrevendo. Um dos grandes temas de Rol, livro de poesias de Armando Freitas Filho lançado em junho deste ano pela Companhia das Letras, é a atividade da escrita. Atividade? Para ele, podemos chamar de destino, fardo, necessidade…. E isso já fica bem claro desde o início, na série de abertura, Escritor, Escritório (trecho acima). Como Armando diz no poema prefácio, o livro é um rol que reúne “coisas de cama, mesa, banho / um trivial variado,…

Merecimento | Trecho

Mesmo que muita coisa tivesse mudado na minha vida desde então o meu relacionamento com a poesia tinha permanecido quase o mesmo. Eu podia ler poemas, mas eles nunca se revelavam para mim porque eu não tinha “direito” a eles: não eram para mim. Quando tentava me aproximar eu me sentia como um traidor, sempre me sentia desmascarado, pois o que os poemas diziam era sempre a mesma coisa: Quem você pensa que é para entrar aqui? Era o que me diziam os poemas de Óssip Mandelstam, os poemas de Ezra Pound, era o que me diziam os poemas de…

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